Thursday, 4 October 2012

Costa Amafitana–Dia 1

O café da manhã foi um dos piores que eu já tive. A única coisa boa era o croissant, que estava fresco e quentinho, mas como não posso tomar café não consegui achar nada decente pra ir junto com o croissant. O suco era hossível, a única fruta era ameixa enlatada, a única coisa passável era um iogurte.
De qualquer forma começamos a dirigir pela Costa Amalfitana felizes, pois o dia estava lindo de sol e cerca de 25 graus.
Cada curva oferece uma vista lindíssima e existem vários pontos de vista onde pode-se parar para bater fotos.
Paramos numa cidade chamada Cetara há poucos quilômetros de Vietri Sul Mare e lá estacionamos o carro e descemos pra dar uma olhada. È uma vilazinha bem charmosa, onde todo mundo se conhece e onde a vida vai devagar. Mas mesmo assim um dos restaurantes que dizem ser o que tem o melhor peixe da costa amalfitana é encontrado lá. Fizemos reserva pra janta, mas infelizmente não conseguimos voltar lá mais tarde.
Continuamos dirigindo e admirando a vista, passando por cidadezinhas e algumas um pouco maiores. Chegamos numa chamada Minore, e lá ficamos 30min presos no trânsito. Saí do carro pra ver porque nada se mexia e perguntei pra alguém (foi bom pra praticar meu italiano) o que havia acontecido, pois conseguia ver muita gente na praça principal (por onde a estrada principal passa) e muitas coroas de flores. O cara da caminhonete (obviamente era dali) me informou que era o funeral de uma menina que havia morrido, e que em 10 minutos terminaria. Isso é algo inconcebível para nós turistas, como que uma autoestrada pára por causa de um funeral? Mas no fim das contas aquela cidadezinha é pequena, todo se conhecem, e um funeral é algo que pára a cidade inteira, então pra eles isso é normal.

blog3
Cetara, uma cidadezinha charmosa
Vistas da estrada da Costa Amalfitana
Varanda do restaurante Locanda Casa Diva em Praiano

Depois de muito esperar finalmente continuamos viagem.
Chegamos na cidade que dá o nome pra essa área, a cidade de Amalfi. Neste dia só passamos por ali, mas a partir dali o trânsito se transformou em algo bem complicado. A rua ficou mais estreita e começaram a surgir vários ônibus de turismo, o que deixava tudo devagar e difícil de passar.
Chegamos em Praiano, cidade onde nos hospedamos, era pouco mais do meio-dia.
Nosso hotel era simples, mas adoramos! Os quartos todos têm vista para o mar, e é a vista! Tínhamos nossa própria sacada com 2 espreguiçadeiras e uma mesinha com 2 cadeiras, onde era ótimo ficar sentado vendo o mar até onde o olhar alcança.
Almoçamos num restaurante ali do lado do hotel chamado Locanda Costa Diva, que tem vista maravilhosa, e a comida e fantástica. Comi uma pasta caseira com camarão, de lamber os dedos! Eu não sou de apreciar comida, mas na Italia tudo muda, e nesta parte da Itália então eu viro uma glutona! Até raspei o prato com pão, coisa que não faço nunca!
Depois do almoço e de uma descansada caminhamos até o centrinho de Praiano, que não tem nada pra ser sincera. Descemos até uma praia chamada Praia da Gavitella pra descobrir que de praia não tem nada, é uma laje na frente do mar onde tem espreguiçadeiras, sombrinhas e um restaurante, mas praia em si não tem.
O problema foi voltar, pois eram 3 da tarde, estava perto de 30 graus e tivemos que subir uns 200 degraus e um morro pra chegar até a rua principal de novo, e depois caminhar mais uns 15 minutos pelo asfalto pra chegar de volta no hotel. Aí resolvemos ficar no hotel aproveitando a vista.
Ali mesmo em Praiano tem a Marina di Praia, uma das “praias” mais charmosinhas da costa amalfitana. Era perto do nosso hotel, bastava descer um morro e uns degraus (aliás como em todo lugar na costa amalfitana) e em 15 min estavamos lá.
Ali jantamos no restaurante Da Armandino, o melhor que eu já comi na Itália. É super simples, mas a comida é deliciosa. Eles têm os próprios pescadores que trazem frutos do mar frescos e saborosíssimos! Neste primeiro dia jantei um ravioli de espinafre com ricota que estava excelente!
Fomos dormir de barriga cheia.
blog4

Praia  da Gavitella
Marina di Praia
Ristorante da Armandino
Mais uma vista bonita da Costa Amalfitana

Wednesday, 3 October 2012

Viagem para a Costa Amalfitana–Itália

Nos próximos posts vou relatar nossa viagem para a Costa Amalfitana, no sudoeste da Itália.
Saímos de Londres numa quarta-feira de manhá super cedo. Nosso vôo saiu de Gatwick às 6 da manhã, então nosso dia começou às 3 da manhã.
O vôo até Napole foi de 2:30 horas e bem tranquilo, pois fora dos céus ingleses o resto da Europa estava com tempo claro de sol.
No aeroporto pegamos num suttle até a Herz onde alugamos um carro, Pagamos uma fortuna ridícula pelo seguro do carro, pois como na Itália os motoristas são loucos, e como naquela área da Itália batidas e arranhões são comuns preferimos pagar a quantia a ter que se incomodar depois, mas foi um roubo!
Com o GPS chegamos fácil ao nosso primeiro destino: Ercolano.
É uma cidadezinha do lado de Napole, que primeiramente foi destruída por um terremoto, e depois pela erupção do vulcão Vesúvio, que fica ali perto.
As ruínas são bem interessantes, e os estudiosos conseguem dizer o que era cada construção, se era uma casa de alguém rico, ou um mercado, ou um templo, e muitos destes lugares ainda têm pinturas sobreviventes daquela época. Algumas claro foram restauradas, mas outras estão na sua condição original, mais de 1000 anos!
Depois fomos ver o causador de tanta destruição, dirigimos até o Vesúvio, dá uns 30min de Ercolano, e deixamos o carro no estacionamento que tem lá em cima, perto do ticket-office. Paga-se 8 euros e aí é possível caminhar até a cratera do vulcão. A caminhada é de cerca de meia-hora e em partes é bem íngreme, e é bom ir com sapato de caminhada porque vai sair de lá sujo. A cratera é bem grande e em alguns lugares tem uma fumacinha saindo. Tem vários instrumentos em áreas diferentes da cratera monitorando a atividade do vulcão. A vista lá de cima é bem bonita e a temperatura uns 4 graus mais baixa do que na cidade, tanto que precisei de um casaquinho apesar de na cidade estar 28 graus.
O vulcão era na verdade uma montanha bem mais alta e maior, mas depois da erupção (a última parece que foi nos anos 60) ficou uma montanha só.

Blog1 

Ruínas de Ercolano e pinturas que sobreviveram estes anos todos
Subindo até a cratera do Vesúvius
Praça principal de Pompéia

Dali visitamos então a cidade de Pompéia, que também  foi destruída pela mesma erupção que destruiu Ercolano. A diferença é que Ercolano era bem pequeno, enquanto que Pompéia era uma cidade muito grande! São ruas e mais ruas para serem exploradas, cada uma com suas histórias.  Pode-se passar o dia inteiro visitando as ruínas. A cidade de Pompéia foi completamente coberta pelas cinzas do Vesúvio, cerca de 3 metros parece, então tudo desapareceu. Deve ter demorado um tempão até descobrirem tudo novamente, e os estudiosos aprenderam muito sobre como várias coisas era feitas naquela época à medida que iam redescobrindo a cidade.
É possível ver também maquetes feitas de gesso de vítimas da erupção, da forma como elas foram encontradas. Realmente é impressionante.

Blog2

Maquetes de gesso de vítimas do Vesúvio
Queijo gigante na delicatessen onde jantamos
Cidadezinha de Vietri Sul Mare vista do nosso hotel

Depois dirigimos até uma cidade chamada Vietri Sul Mare, cerca de 1 hora dali, que é o começo da estrada pela Costa Amalfitana.
Nos hospedamos num hotel que acabou sendo bem decepcionante, ainda bem que era só por uma noite. Visitamos o centrinho da cidade de noite, que é bem pequena e não muito interessante na minha opinião. A cama era desconfortável, mas o cansaço era tanto que dormi bastante.

Saturday, 25 August 2012

Último feriado antes do natal

Fim de agosto foi o último feriado antes do natal. Infelizmente por motivo de trabalho não conseguimos decidir nada com antecedência e acabamos viajando aqui pela Inglaterra mesmo.

Alugamos um carro e na sexta-feira fomos para o sul da Inglaterra.

Fomos até a cidade de Brighton, que fica na costa. Eu já havia estado lá há 3 anos atrás com amigas, mas era em pleno inverno e muito frio. Desta vez fui no verão pro André conhecer, mas apesar do sol estava longe de estar calor. Caminhamos pelo Pier, vimos parte da praia, almoçamos, fomos até o The Lanes, que são as ruazinhas com as lojinhas, e é claro que começou a chover e decidimos seguir viagem. Não é uma cidade muito interessante.

Nos hospedamos num hotel chamado Nuftield Priory, que é uma daquelas casas bem antigas, lá dos 1800, que agora se tornou hotel. Eu li a história da casa, acho que no começo era casa de pessoas muito ricas, banqueiros e homens de negócio, que foi passando de um pra outro, até que em 1900 e algo se tornou um colégio para crianças com deficiência auditiva, e perto de 1990, com o fechamento da escola, se tornou um hotel.

Dover1

1. Em Brighton, onde a praia não tem areia, mas sim pedras. Não é uma praia interessante.
2. Praça em Brighton
3. Lounge do nosso hotel
4. Fachada do nosso hotel

A decoração era super bonita, o prédio bem bonito, tudo bem típico no estilo inglês, o quarto era grande e confortável. O serviço deixou a desejar, tanto que reclamei, mas o ambiente em si era agradável.
No sábado o tempo estava absolutamente abominável, com uma chuva dos infernos, então ficamos no hotel lendo e descansando, fui na academia, usei a piscina térmica, e depois saímos pra jantar.

Domingo de um dia bonito de sol com temperatura bem agradável e então fomos até a cidade de Dover, onde fica o porto de Dover, de onde partem balsas para a França e Espanha. A travessia até a França é de cerca de meia-hora parece. Tem uma estrutura bem grande pra pessoa chegar de carro, fica na fila esperando a hora de embarcar na balsa, tudo bem eficiente. Mas nós fomos lá pra ver os White Cliffs of Dover, ou seja, os Penhascos Brancos de Dover.

Eu não sei porque são brancos, parece que é giz, não sei direito, mas como o dia estava bonito fizemos uma caminhada muito bonita que vai até um farol, tudo na beira do mar. Nesta caminhada conseguimos ver os penhascos e a vista do mar, foi muito legal.

Dover2

Caminhando pelos White Cliffs of Dover, com o porto de Dover ao fundo

Depois fomos até uma cidade chamada Canterbury, que é também bem típica inglesa, com as casas daquele estilo tradicional, e visitamos a catedral de Canterbury. É bonita, mas pra ser sincera eu prerefi a de Gloucester, que é mais imponente e é de graça pra visitar, enquanto que nessa tivemos que pagar.

Dover3

Catedral de Canterbury

Almoçamos por lá e depois voltamos pro hotel, onde continuei a ler o livro Crime and Punishment, do Dostoievski, aquele que comentei que fiquei com vontade de ler depois de ter visitado São Petersburgo.

Segunda-feira voltamos pra Londres e foi o fim desta viagem curta, mas que foi boa pra descansar.

Feriado agora só no natal!

Sunday, 5 August 2012

Olimpíadas de Londres–Os Jogos

No sábado e domingo nós ficamos em casa, pois pra nossa sorte o ciclismo passou na frente da nossa casa. Sábado deu um dia muito bonito e as ruas estavam lotadas de pessoas assistindo a corrida, que saiu do The Mall e foi até Richmond, onde eles ficaram dando 10 voltas em Box Hill e depois voltaram. A gente acompanhou pela tv pra ver onde eles estavam e quando vimos que estavam chegando perto de casa corremos lá pra fora pra vê-los passar. O ambiente estava festivo e com o dia ensolarado foi muito bom! os homens pedalaram por 250km e quem ganhou foi um cara do Kazaquistão. A gente viu ele passando na volta, estava um pouco na frente dos demais.
Domingo foi a vez das mulheres, que fizeram o mesmo percurso, mas deram menos voltas em Richmond, totalizando 160km parece. Na ida uma brasileira estava bem na frente, mas na volta haviam 3 ciclistas bem na frente das demais, uma holandesa (que acabou ganhando), britânica e russa. Entretanto o dia estava absolutamente horrivel, choveu um monte e quando passaram na frente de casa na volta estava derramando água.

Olimp1

1. Acompanhando pela TV
2. Quando estava chegando perto da nossa casa fomos pra rua esperar
3. Lá vêm eles!
4. Tudo é muito rápido!

Domingo de noite acabou que eu e o André fomos assistir jogo de vôlei por sorte. Eu fui sorteada e ganhei ingressos pra ver o Brasil jogar vôlei! Bastante sorte mesmo!!
O jogo de vòlei é relativamente perto de casa (comparado com o leste de Londres) em Earl´s Court. O primeiro jogo foi Polônia contra Itália e foi um jogo bem emocionante, com os 2 times muito bons. O estádio estava tomado por poloneses, estava todo vermelho e branco! Então a torcida deles estava em maioria absoluta, apesar de alguns brasileiros estarem torcendo com os italianos. A cada toque na bola no lado polonês eles contavam: 1, 2, 3! em polonês, era engraçado de ver. E no fim do jogo eles cantavam "Obrigada" em polonês, pro time e pro técnico.
Foi um jogo demorado e o jogo do Brasil só começou às 10:30 da noite. Foi contra a Tunísia, um time bem fraco. Acabou que o jogo foi super chato! O Brasil jogou mal e mesmo assim ganhou, de tão ruim que era o outro time. Mas foi legal ter visto os jogadores de perto. A maioria dos poloneses havia saído do estádio e mudamos de lugar pra sentar mais perto ainda.
Foi bem legal e com certeza uma experiência fantástica ter podido presenciar mais este evento olímpico!

Olimp2

1. Eu e André junto com a torcida da Polônia
2. Polônia vs Itália
3. Vendo o jogo do Brasil vs Tunísia
4. Aquecimento do time do Brasil

Fizeram muito alarde dizendo pra ninguém ir pro centro de Londres porque seria impossível chegar lá devido a quantidade de pessoas. Entretanto acabou que não foi tão ruim quando previram, acabou inclusive que começaram a fazer propaganda pras pessoas irem pro centro de Londres, pois ficou vazio! Os turistas e atletas estavam todos no leste de Londres, e o pessoal que mora aqui não foi pro centro com medo da multidão, então não tinha ninguém lá e os restaurantes e lojas começaram a reclamar. Estive no centro de Londres algumas vezes durante a olimpíada e não vi nada além do normal. Estava cheio, mas nada exagerado.

Uma coisa que deu o que falar foi a distribuição de ingressos, pois os organizadores falaram que todos os lugares dos estádios já estavam cheios, e acabou que em todos os jogos da primeira semana estava CHEIO de lugares vazios. Descobriram que estes lugares haviam sido reservados para patrocinadores e técnicos e atletas, mas a maioria simplesmente não ia nos eventos. O que aconteceu foi que os organizadores foram forçados e redistribuir estes ingressos então diariamente milhares de pessoas iam no site london2012 pra tentar ingressos, mas como já havia falado o site é um lixo. A gente achava ingressos e na hora de comprar ele desaparecia. Mas muita gente conseguiu comprar ingressos, apesar da maioria ainda ter ficado decepcionada.

DSC05728

Os assentos “VIP” vazios

 

Como aqui na Inglaterra os esportes famosos não são particularmente do meu interesse (ciclismo, remo, vela) eu assistia tudo pelo site da BBC, que fez valer a pena a taxa mensal que todos pagamos aqui na Inglaterra, e disponibilizou TODOS os esportes no site deles em tempo real, e também dava pra assistir depois que tivesse terminado. Excelente! Assisti meus esportes preferidos por lá!

No fim de semana do dia 4 nós assistimos mais jogos de vôlei (cada ingresso era pra 2 partidas), desta vez Austrália x Itália e depois Rússia x EUA, do masculino. O primeiro jogo foi estranho, pois a Itália é um país de tradição do vôlei e perdeu os 2 primeiros sets pra Austrália, que eu nem sabia que tinha time de vôlei. Mas depois começaram a jogar voleibol decentemente e acabaram ganhando por 3 a 2, o que foi ótimo porque atrás da gente tinham australianos MUITO CHATOS, que passaram o jogo inteiro gritando no nosso ouvido! O segundo jogo foi fantástico! A Rùssia e os EUA tem times muito bons, sem a menor comparação com os times anteriores, e também foi até 5 sets, com a Rússia virando o jogo quando estava 24x23 pros EUA no terceiro set, sendo que os EUA haviam ganho os 2 primeiros sets. Muita gente foi embora achando que o jogo ia terminar e acabou que perderam metade do jogo. Foi um jogão!

Olimp3

1. Chegando em Earls Court pra ver o jogo
2. Itália vs Australia
3 e 4. EUA vs Rússia
5. Rússia ganhou de virada
5. Entretenimento na hora do intervalo. Todos querem aparecer no telão.


Agora que ja está chegando o fim dos jogos os britânicos estão super orgulhosos do desempenho deles, que realmente foi muito bom. Só perderam da China e EUA, mas se considerar que a população daqui é bem menor que a desdes 2 países eles se saíram muito bem!

Agora vou ver e torcer pros meninos e meninas do vôlei, que ~vão disputar a final, tomara que eles ganhem!
Adorei esta experiência de estar na cidade das olimpíadas e se tiver oportunidade vou na do Rio em 2016 Smile

Friday, 3 August 2012

Olimpíadas de Londres – Os preparativos

Lembro quando cheguei aqui há 4 anos atrás estava acontecendo a de Beijin e quando terminou teve uma cerimônia na frente de Buckingham Palace passando a tocha olimpica pra Londres. Nestes 4 anos os preparativos sempre estiveram nas notícias.

As construções necessárias para os diversos esportes geraram muitos empregos nestes 4 anos, o que acabou ajudando com a economia, pois a Inglaterra está faz tempo numa recessão e não se sabia se haveria dinheiro para terminar tudo.

Já faz 1 ano que as construções para sediar os eventos foram finalizadas, o que foi impressionante!

Um dos grandes projetos foi o trabalho feito no sistema de transporte, foram 4 anos de metrôs fechados nos fins de semana para que pudessem modernizar as linhas do metrô. Não foi fácil pro pessoal de Londres lidar com isso, estas obras todas geraram muitos atrasos e inconvenientes para todo mundo, mas eram necessárias.

A organização em torno do sistema de transporte foi realmente bem grande, com mapas disponibilizados na internet indicando quais áreas evitar em quais períodos porque estavam prevendo muito fluxo de pessoas, pois certas linhas levam diretamente ao parque olímpico, no leste de Londres. Eles enviaram ano passado para as empresas questionários perguntando o trajeto dos funcionários (não era obrigado a preencher) para poderem se planejar e ver quais estações de metrô teriam maior congestionamento.
Foram criadas também as tais das "Game Lanes", ou seja, Faixa dos Jogos, por onde somente carros oficiais podem transitar e qualquer outra pessoa transitando nela paga uma multa de mais de £100. Isso foi para facilitar o transporte de atletas e oficiais dos jogos para os diferentes lugares de competição.

No fim foi uma campanha bem grande pas pessoas evitarem o centro de Londres durante os jogos, porque estavam prevendo uma quantidade absurda de gente usando o sistema de transporte, pediram pras pessoas mudarem o horário de trabalho ou trabalhar de casa se possível.

Ano passado ou retrasado começou a contratação de voluntários para ajudar nos jogos. Precisavam de todo tipo de pessoa, desde tradutores até especialistas em redes de computadores, gente só pra ficar na frente dos estádios dando informação e controlar a multidão.
O que também já faz mais de 1 ano, mas que nao foi impressionante, mas sim decepcionante, foi a liberação de venda de ingressos para as olimíadas. O site oficial no qual compramos os ingressos era absolutamente horrível! A gente não conseguia ver quantos ingressos estavam disponíveis para cada sessão de cada esporte, simplesmente tinha que escolher o que gostaria de ver sabendo que a regra era: se você conseguisse todos os ingressos para o qual aplicasse, teria que comprar todos! Ou acabava sem nenhum. Aí é claro que a maioria aplicou pra 1 ou 2 esportes, pois a maioria dos ingressos era relativamente cara, e acabou que quase ninguém conseguiu ingresso nenhum! Até agora não se sabe como foi decidido quem conseguiu o que, mas tiveram pessoas que conseguiram todos os ingressos que pediram (ultrapassando 5 mil libras de valor) e teve gente que não conseguiu nenhum! Sou muito fã de voleibol, que costumava jogar na escola e universidade, esporte que aqui não tem atrativo, então acabei conseguindo ingresso pra ver 2 partidas de vôlei masculino.
Mas nem tudo foi perfeito na organização, 2 semanas antes do começo dos jogos descobriu-se que a empresa contratada para fornecer segurança pros jogos (algo de extrema importância), que foi paga vários milhões de libras, não conseguiu contratar pessoas o suficiente e acabou que tiveram que trazer as forças armadas para ajudar. Foi o maior escândalo e os chefes desta empresa tiveram que depor no parlamento e vão ter que pagar pelo serviço das forças armadas, o que é mais do que justo. Afinal em país de primeiro mundo é assim que as coisas funcionam.

Outro problema foi a imigração no maior aeroporto de Londres, o Heathrow. Logo antes do começo das olimpíadas tinha pessoas que esperavam até 3 horas na fila pra passar na imigração, e os funcionários estava ameaçando fazer greve.
Agora teve uma coisa que eu e muitas pessoas achamos simplesmente ridículo, que foi o contrato que a empresa organisadora fez com os patrocinadores, como McDonalds, Visa e Adidas. Eles se venderam 100% para estes patrocinadores! Nos estádios só se podia pagar por coisas usando dinheiro ou cartão da Visa, não se pode usar roupa ou mochila que tenha qualquer símbolo que não seja dos patrocinadores, e haviam especulado que somente a Mc Donalds poderia vender batata frita, fazendo com que ninguém pudesse comer o tradicional fish and chips inglês!

Mas finalmente chegou o dia de começar as olimpíadas e estava todo mundo bem alegre e ansioso. As últimos detalhes começaram a se acertar, e a chuva que durava 2 meses foi embora, presenteando Londres com dias quentes e secos de verão!

Nós assistimos a cerimônia de abertura em Hyde Park. A BT, a maior empresa de telecomunicações do UK, teve um festival com música (Duran Duran e Snow Patrol tocaram) e telões, no qual assistimos a cerimônia de abertura.  Foi na sexta-feira passada e tinha bastante gente. Como a segurança é algo levado muito a sério e com razão, havia bastante fila pra entrar, pois cada pessoa precisava passar por detector de metal. Lá dentro tinham barraquinhas com comida, telôes e um palco. Entre as apresentações das bandas teve a abertura passando nos telões e foi bom ter assistido lá pois deu pra sentir a reação de todo mundo com cada coisa que acontecia.
Agora é acompanhar os esportes pela TV e pela internet. Promete ser uma Olimpíada fantástica!

Saturday, 14 July 2012

Visita a Auschwitz

No segundo dia acordamos cedo pois faríamos uma visita até o ex campo de concentração nazista Auschwitz. Foi pra completar nossa educação sobre o holocausto, pois agora já visitamos vários museus e memoriais nas principais cidades afetadas pelo holocausto. Mas de todos os museus e memoriais nada foi tão impactante quanto esta visita até Auschwitz, pois ali realmente se consegue ter idéia do tamanho da monstruosidade doz nazistas.
É possível pegar trem até Oswiecim, que é o nome polonês da cidade onde o campo de concentração foi instalado. A pronúncia em polonês é parecida com a pronúncia de Auschwitz. Os alemães mudaram o nome pra uma versão em alemão porque queriam que o idioma deles prevalecesse.
Nós acabamos indo com uma empresa que faz tours com guias. Existem várias dessas, e a nossa era chamada SeaKrakow.
Foi 1 hora de viagem até o campo de Auschwitz I, que foi o primeiro a ser criado. Neste campo os prédios estão todos conservados e muitos deles são museus contando alguma parte da história do que se passou por lá. Todo mundo sabe que alemão é um povo muito organizado e eficiente. Infelizmente este organização e eficiência foi utilizada para algo incrivelmente maligno: exterminar pessoas, e o resultado foi catastrófico.
Eles não só mataram as pessoas quanto roubaram tudo o que elas tinham. Os judeus (entre outros grupos como ciganos e homossexuais, mas 90% dos que foram mortos foram judeus) foram mandados para os campos de concentração e cada um podia levar uma mala com até 50 quilos. Claro que qualquer pessoa vai pegar seus bens mais preciosos, tudo o que a pessoa mais gosta, e colocar naquela mala. Chegando lá os alemães pegaram e catalogaram tudo. Eles sabiam exatamente quantas pessoas estavam lá, o que cada uma fazia, membros da família, tudo era catalogado! E fica pior! Eles pegaram até muletas e próteses de pessoas com problema, e numa dessas casas se pode ver montanhas de sapatos, de malas, de roupas, de óculos, de tudo o que eles tomaram dos judeus. Não contentes com isso eles raspavam o cabelo das pessoas pra fazer meias e outras coisas! E quando a pessoa morria eles arrancavam dentes de ouro, derretiam e mandavam pra Alemanha. As roupas eram "desinfetadas" e mandadas para a Alemanha. Não só eram assassinos eram também ladrões! Numa das salas de um dos prédios tinham pilhas enormes de cabelo que foi raspado das pessoas.

Nas paredes dos corredores de algumas casas tinham centenas de fotos das pessoas que foram mortas, pois os alemães catalogavam cada um e batiam fotos de cada um, a organização era tanta que fazia tudo ainda mais doentio. Existem lá listas com os nomes das pessoas mortas, e do lado de cada nome tem um sinal feito a caneta, denotando que a pessoa foi morta.

Auchwitz1

Em cima: Entrada do campo de Auschwitz I, roupas que os prisioneiros usavam
Embaixo: Lista com os nomes de algumas pessoas mortas, foto com pessoas que acabavam de chegar no campo e seriam mortas


Em outro museu mostravam como as pessoas dormiam, no chão em cima de palha, como se fossem animais, todos amontoados.
Os prisioneiros eram forçados a trabalhar de graça em fábricas alemãs, cerca de 10 ou 12 horas por dia, e na volta sempre havia contagem deles e se tivesse alguém faltando haviam vários tipos de punição, assim como se alguém tentasse escapar. Se a contagem não fechasse eles era obrigados a ficaram em pé na rua, independente se era -20 graus ou 30 graus por várias horas, enforcamentos de grupos de prisioneiros era comum, para "servir de lição" para os demais.
Mas o pior de tudo é o tal de bloco 11, que era a prisão dentro da prisão. Num pátio do lado desde bloco tem uma parede de cimento usava para execuções assim como um poste para enforcamento. Dentro deste bloco 11 tem as salas de julgamento e dos "chefes" da SS, assim como as salas onde as pessoas tinham que tirar a roupa antes de serem mortas, com porta para o pátio de execução.

Auchwitz2

Em cima: Latas com o gás que matava as pessoas nas câmaras de gás, pilha de malas dos judeus

Embaixo: Sala onde os homens tinham que se despir antes de serem fuzilados na parede ao lado


Descendo uma escada nesse bloco 11 ia-se para um lugar escuro e com grades, com várias salas onde as pessoas passavam por todo o tipo de tortura. Uma sala era pros condenados a morrer de fome, eram trancados lá sem água nem comida até morrerem, em outra era uma sala sem janela e a pessoa morria sufocada sem ar, e em outra haviam tijolos formando mini salas minúsculas, onde vários prisioneiros eram obrigados a passar a noite em pé, trancados ali dentro, depois de terem passado o dia trabalhando. Eu ia passando ali e pensando em quantas e quantas pessoas tiveram que morrer de forma tão cruel, tudo porque alguns loucos chegaram ao poder e resolveram que eles era melhor do que os demais e por isso os demais mereciam morrer.
E pra finalizar fomos até a câmara de gás e crematório, onde é possível entrar na câmara de gás. Logo ao lado tem os fornos que eram usados para queimar os corpos. A única coisa "boa" foi ter visto o pódio onde um dos comandantes foi enforcado depois de ter sido julgado pelo tribunal de Nuremberg. Na minha opinião ele teve uma morte fácil, primeiro deveria ter sido deixado em pé naquela sala apertada por alguns dias, e depois ter sido deixado na sala pra morrer de fome e de sede. Aí talvez enforcar, ou deixar morrer lá mesmo...
Essa visita em Auschwitz I durou até depois do meio-dia, quase 3 horas, e isso que não deu pra ver tudo!

Auchwitz3

Em cima: blocos onde os prisioneiros eram mantidos, torre de controle

Embaixo: Onde o comandante nazista foi enforcado após ser julgado, câmara de gás onde tantas pessoas morreram


Depois de 10 min de pausa para almoço (esse é o problema de ir em excursão) fomos até Auschwitz Birkenau.

Auchwitz6

Estrada de ferro chegando em Auchwitz Birckenau, vagão onde as pessoas eram transportadas
Como o plano dos nazistas era exterminar os judeus o campo de Auschwitz I era "muito pequeno", então eles construíram Auschwitz II (Birckenau), e era para lá que os trens com milhares e milhares de judeus que viajavam por dias sem água nem comida e nem janela, chegavam.
Uma vez lá alguns "médicos" decidiam se cada um seria morto ou se iria trabalhar nas fábricas. E eles ainda tentavam não desesperar as pessoas dizendo que não era para se preocuparem, que elas seriam bem tratadas, com trabalho e uma vida melhor, tudo pra não causa pânico. Se as pessoas acreditavam ou não eu não sei! Pessoas de cidade, crianças e pessoas consideradas não próprias para trabalho eram mandadas pra uma fila, e as demais pra outra. A primeira fila ia diretamente para a câmara de gás.
O tamanho daquele lugar é algo indescritível. Eles tinham 4 crematórios pra "dar conta" de se livrar de todos os corpos. Todos foram destruídos pelos nazistas quando viram que iam perder a guerra. O único que sobrou foi o que Auschwitz I.
Mas mesmo destruído pudemos ver de cima o corredor onde as pessoas tinham que se despir, com a desculpa que iriam tomar banho somente, e onde era a câmara de gás. E a morte com o gás não era instantânea, era liberado aos poucos e as pessoas começavam a sufocar e iam morrendo aos poucos, e os que demoraram mais pra morrer começavam a subir nas pilhas dos corpos dos que já haviam morrido tentando pegar ar que ficava perto to teto. Não vou contar detalhes do que o guia falou, mas era realmente algo repudiante...

Auchwitz4

Em cima: Crematório destruído, corredor onde as pessoas tinham que se despir antes de serem mortas

Embaixo: Barracos onde os pririoneiros moravam, dentro de um dos barracos


Visitamos então os barracos onde eles eram mantidos e comparado com ali Auschwitz I parecia menos pior. Ali era tudo de madeira e haviam 2 plataformas que formavam 3 níveis para que as pessoas pudessem dormir. Em cada nível eram 6 pessoas dormindo. O chão era de terra e obviamente aquilo se transformava num lamaçal quando chovia. No inverno se era -20 lá fora, era -20 ali também, e se era 30 lá fora era 40 ali dentro. As pessoas morriam ali de tudo quanto é doença, pois as condições eram realmente inimagináveis. Num outro barraco era o "banheiro" onde as latrinas eram uma dos lados das outras e cada pessoa tinha cerca de 20 segundos pra fazer as suas necessidades. 3 mil pessoas dividiam aqueles banheiros, para se lavar também não havia água quente no inverno e no verão às vezes não havia água, ponto.

Auchwitz5

Este banheiro era dividido por 3 mil pessoas


Enfim, os nazistas simplesmente resolveram quem os judeus mereciam ser exterminados e por isso não tinham direito nem de serem tratados como seres humanos. A lógica deles era que eles iriam ser mortos então não fazia diferença se eles eram tratados daquela forma.
Realmente a visita foi uma visita educacional, mas não tenho palavras pra descrever o que a gente sente quando está num lugar daqueles e escuta o que aconteceu por lá. Quem quiser ter uma idéia do que realmente se passou no holocausto deve visitar Auschwitz, pois nenhum outro lugar dá uma idéia tão realista.
Temos que tomar cuidado pra que este tipo de lixo humano = nazistas nunca mais esteja no poder para que nada parecido se repita.

Friday, 13 July 2012

Cracóvia – Polônia

Meio que de última hora marquei uma viagem pra Polônia, pois o André iria passar uns dias lá trabalhando até o fim de semana.
Tirei sexta-feira de férias e de manhã bem cedo embarquei pra Cracóvia. Fiquei feliz de ter saído de Londres, pois este está sendo o pior verão desde que começaram a registrar temperaturas e níveis de chuva. Tem chovido absolutamente todos os dias e a temperatura não chega a 20 graus na maioria dos dias.
Tá certo que na sexta-feira não foi muito diferente em Cracóvia, pois choveu a tarde inteira. Eu odeio chuva!

A capital da Polônia é Varsóvia, mas Cracóvia é a cidade mais interessante para turistas, tem melhor infra estrutura pra o turismo.

O nosso hotel era bem localizado, do lado de um shopping moderno e perto da estação de trem e da parte antiga da cidade.
Foi super fácil chegar, pois no aeroporto de Cracóvia tem um ônibus grátis que te leva até a estação de trem (fica  300 metros do aeroporto) e uma vez lá tem um trem que te leva até a estação central. O ingresso compra-se dentro do trem mesmo, super prático.
Almocei no shopping ali do lado do hotel e saí pra explorar o centro histórico, que é bem bonito e bem preservado. Comecei pelos portôes da cidade antiga e fui caminhando pela Royal Walk, que vai destes portôes até a praça principal, onde tem uma catedral bem bonita e um mercado. Tinham também várias charretes puchadas por cavalos, bonitos e bem tratados.
Krakow1

Em cima: Royal Walk, Igreja de St. Mary´s

Embaixo: Dentro de St. Mary´s e cabeça em Market Square


No mercado não vi nada demais, entrei na catedral e lá dentro tem uns vitrais bonitos.
Dali fui visitar um prédio da universidade que é das mais antigas do mundo, que teve Copérnico entre seus estudantes.
Visitei mais alguns lugares ali no centro e caminhei até o bairro judeu, que tem um mercado e uns restaurantes.
Caminhei então até o rio e fui até o castelo. Lá em cima visitei a catedral (que é de graça) e o pátio do castelo.
A cidade tem várias estátuas do papa João Paulo II, pois ele era polonês e foi bispo em Cracóvia parece.

Krakow2

Em cima: Universidade de Cracóvia, uma das igrejas

Embaixo: Carro pintado no bairro judeu, castelo de Cracóvia


Depois disso voltei até o centro histório e parei num café pra tomar um chá e comer um bolo de chocolate, que estava bem gostoso.


Fui até o hotel encontrar o André, que havia passado o dia trabalhando, e jantamos num restaurante típico no centro histórico, com comida caseira e barata.
Realmente Londres é um lugar ridiculamente caro, o único lugar mais caro que Londres que eu já fui foi a Suíça.
Meu primeiro dia foi de descobertas, mas muito chuvoso.
O segundo dia será relatado no post seguinte, pois tem bastante coisa pra contar, então termino este post falando que no domingo voltamos pra Londres no começo da tarde, mas não sem antes ter feito uma massagem fantástica no hotel, por metade do preço cobrado em Londres!